quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SOLIDÃO






Solidão que me abraças
com o doce sabor do mel
Que nunca me abandonas
dessa tua fidelidade cruel
Desencontro-me da vida
e aninho-me nos teus braços
Perdida do tempo, do mundo,
de tudo aquilo que me rodeia
Encenas o teu papel de eleita,
teces-me ardilosa essa teia
Hoje não te quero sentir,
pois não preenches este vazio
Quero uma mão que me segure,
um abraço que perdure
Quero sentir-me e descobrir-me,
marcar encontro comigo
Perceber o que me vai na alma,
descobrir-me sem medo
Deixar rolar uma lágrima de desalendo,
não és amiga és tormento
Grito no silêncio palavras de amargura,
caminho no teu rochedo
Quero sentir o que não sei existir,
perceber o que não sei ver
Embrulhaste-me num véu de dor,
submissa à tua dura presença
Que se soltem as amarras disfarçadas
que aprisionam o meu eu
Quero caminhar sem te ter na minha sombra,
liberta-me agora
Quero ser livre da tua escuridão,
quero estar comigo nesta hora
Devolve-me as asas da vida
que me roubaste deixando uma ferida
Procura consolo nos destroços
dos momentos e instantes perdidos
Quero fechar-te a porta da tristeza,
abrir os sentidos à vida
Devolve-me os afectos esquecidos,
os farrapos de instantes queridos
Cansei-me de abraçar o teu sentimento frio,
desordeiro, vadio
Vai embora e deixa-me comigo,
não quero estas lágrimas em vão
Choro de te saber sempre persistente,
desespero nesta escuridão presente
Vai, eu vou-me procurar sem receio de sentir,
de viver, de voltar!

Cláudia Ferreira

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